terça-feira, 26 de julho de 2016

Como Interpretar Fichas Morningstar

Como investidores de fundos de investimento, por vezes encontramos indicadores que poderemos não entender plenamente. Hoje vamos utilizar uma ficha Morningstar, lançada pelo Banco Best, ao fundo Franklin Biotech.
Assim sendo, vamos começar a interpretar indicadores.

Gráfico

O gráfico indicam-nos duas coisas bastante importantes. De forma a conseguirmos garantir um investimento activo com mais valias face a um investimento passivo, temos de observar se o fundo consegue alcançar uma rendibilidade mais alta que o índice que tenta "bater". No caso do fundo em cima, o fundo fica abaixo da rendibilidade do mercado. Existe um indicador que nos vai dizer a mesma informação.

Medidores de Risco

Alfa

O alfa dá a mesma interpretação que podemos ver no gráfico. É utilizado para medir a qualidade do modelo de gestão, e não existe qualquer razão para não haver outro. Um valor de alfa positivo significa que o fundo está a ter mais valias que o mercado, ou seja, que está a acrescentar valor à sua carteira. No caso do fundo em cima podemos ver, mais uma vez, que a equipa de gestão não está a conseguir bater o mercado.

Beta

O beta indica-nos, de certa maneira, a volatilidade do fundo face ao mercado. Um valor de 1 é equivalente ao fundo ter um movimento equivalente ao mercado. Valores superiores a 1 indicam-nos que o fundo terá valorizações superiores ao mercado (tanto para cima, como para baixo), e valores inferiores a uma unidade dão-nos o resultado de que o fundo é menos sensível aos movimentos do índice. No caso em análise podemos traduzir que uma variação de 10% no índice nos dá uma variação de 11,5% aos investidores.

R^2

Diria que este indicador é o segundo mais importante para medir o desempenho da equipa de gestão. Oscila entre 0 e 100, em que o valor 100 nos indica que a equipa de gestão copia o índice que tenta "bater". É aqui que muitos fundos são alvos de críticas por copiarem o mercado e cobrarem uma percentagem de custos de gestão, apesar de não acrescentarem valor ao fundo. Por norma, é aceitável existirem fundos com valores de 0 a 70, tendo em conta que copiam, no máximo, 70% do mercado.
No caso em análise, a equipa de gestão copia o índice em cerca de 77%.

Rácio de Informação

O Rácio de Informação mede a competência do gestor e da sua equipa de investimentos. É calculado usando o retorno activo do gestor a dividir pelo risco assumido por esse retorno. Valores altos neste indicador indicam retornos muito maiores relativamente ao risco assumido. No caso em cima podemos verificar que existe um valor negativo, indicando uma má gestão do risco pela equipa de investimentos.

Tracking Error

Este indicador diz-nos até que ponto é que o gestor é ativo. Elevados valores indicam que o gestor se afasta bastante do seu índice de referência. No caso em análise podemos observar que o gestor se afasta do seu índice de referência.

Rácio de Sharpe

O rácio de sharpe é um indicador que relaciona o retorno com o risco assumido. Através do valor indicado, podemos determinar se um fundo teve melhor desempenho do que um ativo isento de risco. Para o fundo alcançar valores positivos é necessário que tenha um desempenho superior ao do activo isento de risco. Valores elevados indicam um bom desempenho em termos de rendibilidade, ou em termos de baixo risco. Podemos interpretar o valor indicado no caso em análise como um retorno quase igual ao activo sem risco.

Desvio Padrão (a 3 anos)

Este indicador é calculado através da raiz quadrada da volatilidade, como alguns estudantes de estatística se devem lembrar. Através deste indicador poderemos determinar o risco do fundo, tendo em conta a variação registada nos anos em análise. Valores mais altos indicam uma variação mais agressiva dos rendimentos, enquanto que valores mais baixos representam uma variação mais baixa.
O fundo em análise tem um desvio padrão de quase 30%. Se, no ano passado a rendibilidade do fundo foi de 30%, poderemos interpretar que os investidores poderiam ter ganho 60% ou 0% durante o período que esse fundo esteve em carteira.

Notas Finais

Vamos agora analizar o fundo no seu global. Como já devem ter reparado, durante esta mensagem não me faltaram criticas em relação a este fundo. Ainda assim, convém escrever objectivamente as razões que me levaram a criticar o fundo.
Não iria investir num fundo que não é activo o suficiente (R^2), é simultaneamente mais volátil que o mercado e com um desvio padrão demasiado elevado (Beta e Desvio Padrão) e, finalmente, não tem um valor positivo no rácio de informação.
Neste artigo não referi o sector do fundo, pelo que irei fazer uma análise a outras zonas da folha da Morningstar noutros artigos.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O que são Correlações?

Hoje o texto que vos escrevo é relativo à segunda parte da diversificação da nossa carteira. Podem ler o primeiro artigo aqui.

Esta parte é um tema mais difícil, mas fundamental para efectuarmos uma correcta diversificação dos nossos investimentos. Então cá vai.
É muito raro ouvirmos falar em correlações. Por norma observamos esse indicador nos depósitos indexados do banco invest, como o exemplo na imagem em baixo.

A correlação mede a o comportamento entre duas acções. Caso duas acções tenham movimentos semelhantes, o indicador vai apresentar um valor mais próximo de 1 do que no caso de duas acções completamente diferentes. Nos casos extremos, 1 indica que duas acções têm comportamentos iguais e -1 indica que duas acções têm comportamentos opostos. Para ser mais fácil entender este conceitos, vamos indicar três exemplos que ilustram do melhor modo este fenómeno.

Correlação superior a 0,3

No exemplo em cima temos duas acções, A e B. A evolução nos primeiros 7 meses do ano destas duas acções apesenta uma correlação de 0,94. Esta correlação é tão alta pois, como podemos observar pelo gráfico, as duas acções têm evoluções e amplitudes muito semelhantes (quase iguais). Assim sendo, não é de todo aconselhado diversificar, dado que estamos quase a investir na mesma acção. É possível encontrar correlações destas entre duas acções do mesmo sector, do mesmo país, ou que pertençam à mesma empresa.

Correlação entre -0,3 e 0,3

Nesta situação, as acções X e Y apresentam uma correlação de 0,06. Como podemos observar pelo gráfico, não existe uma tendência definida entre estas duas acções. O ideal é diversificar em acções com uma correlação inferior a 0,3. Tendo em conta que as acções têm um comportamento semelhante em menos de 30% das vezes, quando um setor está abaixo da tendência do mercado, o outro sector não é influenciado por esse mau desempenho.

Correlação inferior a -0,3

Nesta correlação podemos ver duas acções, L e M, com uma correlação negativa perto de 1. Esta correlação negativa indica que, quando uma acção sobe X%, a outra desce na mesma amplitude. quase 90% das vezes.
Como exemplo de dois produtos inversamente semelhante temos o S&P500 e o Ouro. Quando os investidores têm uma maior apetência pelo risco, verificamos um movimento positivo no S&P e, quando se sentem com receio em relação ao mercado, optam pelo Ouro,
Para os investidores com uma aversão ao risco, é viável optar por uma diversificação que, num caso raro em que vários sectores revelam perdas, a carteira apresenta sempre uma evolução positiva. 

Notas Finais

É necessário consultar a correlações com uma certa frequência, a correlação depende do período em análise e pode sofrer fortes alterações com o tempo. Também é necessário verificar se a carteira de investimento está a ter o desempenho desejado.
Nos casos em que as carteiras apresentam uma evolução abaixo da média, convém verificar se não estamos com sobre exposição a um dado sector ou a um dado país.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Como diversificar os nossos investimentos

A diversificação é um dos factores mais importantes para garantir a maior eficiência da nossa carteira. Como existem sempre algumas dúvidas sobre esse assunto, hoje faço uma ligeira introdução ao tema.

Exemplo

Imaginemos que temos uma acção B que queremos investir. Essa acção é de um sector que queremos ter na nossa carteira. Tem um rendimento bastante interessante, mas também tem um risco equivalente. Apresentamos em baixo o gráfico de rendibilidade e risco.

De forma a não passarmos de um rendimento de 2% para uma perda de 5%, é necessário diminuir o risco investindo noutra acção desse mesmo sector, mas com menos volatilidade. Chamemos a essa acção A. A rendibilidade de A e a volatilidade estão na tabela em baixo.
 A volatilidade é metade da acção anterior, mas ainda assim temos alguns períodos negativos. Os períodos positivos revelam uma acção com menos risco, mas também revela menos rendimento para os seus investidores. Ainda assim, esta acção é fundamental para garantir uma boa eficiência nesta carteira composta por duas acções. Em baixo é apresentado a diversificação entre as duas acções, admitindo que este investidor investiu colocou o mesmo capital nas duas acções.
 É evidente que a acção A prejudica a nossa carteira, em relação aos rendimentos positivos, mas beneficia a carteira em períodos negativos. Não podemos ser gananciosos e querer ganhar o máximo, deveremos sim querer ganhar o suficiente para o risco que estamos a assumir (ser eficientes), como se pode ver nesta carteira. A volatilidade da nossa carteira está a uns estáveis 2,80%, ao mesmo tempo que a rendibilidade foi estabilizada.
No gráfico em baixo temos a rendibilidade das duas acções em cima. A linha amarela representa a rendibilidade ao diversificarmos, em detrimento de termos apenas uma das acções na nossa carteira.
Acima de tudo, diversificar traz vantagens, mas também desvantagens. Vamos verificar então os dois espectros da diversificação.

Vantagens

  • Diminui o risco da nossa carteira;
  • Previne a perda de capital caso uma das empresas esteja com dificuldades: A Apple tem estado com problemas relativamente a terem falhado as expectativas dos analistas. Com a diversificação teríamos uma perda menor dado que teríamos mais empresas do setor na carteira;
  • Permite estabilizar a rendibilidade global da nossa carteira;
  • Dá mais valias proporcionais aos diferentes sectores de mercado;
  • Facilidade de diversificação com baixo capital: Os ETF's e os fundos de investimento são ideais para diversificarmos os nossos investimentos;
  • Permite ajustar a agressividade do portefólio: Podemos definir uma percentagem para ajustar a agressividade do portefólio. Portefólios mais agressivos colocam mais capital em acções mais arriscadas.

Desvantagens

  • É necessário equilibrar o portefólio: A cada ano que passa, dado que uma acção dá mais rendibilidade que outra, teremos de vender algumas acções de uma delas para manter a percentagem de investimento em cada uma;
  • Alguma perda de rendibilidade: Dado que diversificamos, as acções com mais rendibilidade vão ser diluidas por acções com menos rendibilidade;
  • Custos de transacção: No caso em que o investimento seja em acções diretas, a cada acção que colocamos na carteira estamos a aumentar os custos de transacção. É, por isso, ideal diversificar através de fundos de investimento ou ETF's.

Notas Finais

Pudemos observar que a diversificação é um tema crucial para o bom desempenho dos nossos investimentos. Uma diversificação deficiente poderá comprometer ganhos futuros e, inclusive, significar perda de capital. Assim, é fundamental diversificarmos através de um conjunto de acções, de setores ou de países, para garantir o sucesso dos nossos investimentos.


sexta-feira, 15 de julho de 2016

O que fazer com Baixas Taxas de Juro?

As baixas taxas de juro são bastante positivas, ou negativas, dependendo do lado em que estamos.
Para quem antecipa consumo futuro através de um empréstimo bancário (seja habitação, automóvel ou pessoal) tem uma taxa de juro (Euribor) e um spread associado, pagando juros pelo empréstimo. Quem poupa dinheiro para consumo futuro recebe juros que podem ajudar a combater a inflação.

Mas, o que é a Taxa Euribor?

A taxa euribor é conhecida por muitos Portugueses. Esta taxa de juro é a taxa de referência nos empréstimos pessoais e empréstimos à habitação. Dependendo do modo como é revista, a prestação que pagamos está dependente desta taxa.
Assim sendo, nos últimos meses assistimos a uma descida acentuada desta taxa. A descida foi tão grande que está atualmente negativa.
A tabela da taxa euribor nos vários períodos é atualmente esta. De acordo com as políticas monetárias do Banco Central Europeu poderemos vir a assistir valores negativos nas taxas de juro durante os próximos meses ou anos.

Porque coloca o BCE taxas negativas na Euribor?

A taxa Euribor serve apenas para uma coisa, controlar o nível de inflação de um grupo de países. No caso dos países da zona Euro, o BCE gosta de manter a inflação em níveis perto dos 2%. Quando a inflação é superior aumenta a taxa de juro e, quando é inferior diminui a taxa de juro.
Essas variações geram períodos de investimento quando a taxa Euribor está baixa e geram períodos de poupança quando a taxa Euribor está alta. A taxa Euribor faz variar a taxa dos depósitos a prazo nos bancos, considerados depósitos sem risco, na mesma proporção que a variação na taxa euribor. Por exemplo, hoje em dia vemos que os bancos têm taxas de juro quase iguais a 0% TANB, quando em ano anteriores tínhamos 2% ou 3%.
Imaginando que somos um investidor e queremos abrir um novo negócio. No plano de negócios verificamos que esse negócio gera um retorno de 5% ao ano. Nesse mesmo ano os bancos tinham depósitos a prazo com uma TANB de 5% por 2 anos. Neste caso é melhor para o investidor aplicar esse valor num depósito a prazo, dado que obtém o mesmo rendimento e, neste caso, é uma taxa garantida sem qualquer risco.

Onde Investir com baixas taxas de juro?

A situação em cima não é o que acontece neste ano (2016). Com os depósitos a prazo a apresentarem taxas perto dos 0% TANB, o investimento é largamente fomentado. Hoje em dia os bancos incentivam os empreendedores e investidores a pedirem empréstimos (pagando juros quase nulos) para investir no mercado, e aumentar a inflação.
Para os investidores de fundos de investimento, acções e obrigações, infelizmente a situação não é melhor. As empresas beneficiam das baixas taxas de juro, mas neste momento as acções estão a ser negociadas com múltiplos de lucros demasiado elevados. As obrigações são quase inexistentes e, quando existem, são a uma taxa mais baixa. A realidade é que as empresas beneficiam das baixas taxas de juro como os particulares, pelo que não necessitam de obrigações para se financiarem.
A realidade é que os investimento comuns estão a ter um rendimento mais baixo do que era espectável. Sejam acções, obrigações, metais preciosos, o triste desafio é revelado quando os investidores vão ser premiados com um rendimento inferior, com o mesmo risco.