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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Porque razão existem Obrigações com taxas negativas?

Começamos hoje com uma imagem. O gráfico em cima mostra as taxas de juro de $47,3 biliões em obrigações, dentro de 24 moedas diferentes e desde obrigações de países em desenvolvimento e países desenvolvidos. O resultado do gráfico mostra uma tendência algo preocupante. Mais de 20% das obrigações emitidas são a juros negativos, e mais de metade têm uma taxa de juro inferior a 1%.

Mas porque razão isto está a acontecer?

Apesar de existirem obrigações com taxas de juros negativas desde 2012, este fenómeno aumentou desde que o Banco Central Europeu decidiu cortar a taxa de depósitos para valores negativos em 2014. Assim, o BCE está a fomentar o crescimento da sua economia, aliciando os investidores para retornos mais apelativos em outras áreas de investimento como Acções, Futuros e Obrigações de países em desenvolvimento.
Com isto a acrescer ao facto do Reino Unido ter perdido para sair da União Europeia e haver suspeitas de que o sistema bancário Italiano está com problemas graves, os investidores estão com bastante receio do futuro.

Em alturas de volatilidade os investidores não têm muito por onde escolher. Se continuarem com os seus investimentos nessas zonas geográficas vão ter períodos de elevada volatilidade e vão perder dinheiro, mas ao investirem nesta obrigações têm a segurança de que vão perder apenas uma percentagem do seu capital.
Para nós, os pequenos investidores, não existem razões para alterarmos a nossa carteira, mas convém entendermos o que está a acontecer na Europa e no mundo.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Análise à Raize

Depois de comemorar dois anos a investir com a Raize decidi fazer uma análise mais aprofundada ao modelo de negócio da Raize, assim como referir algumas particularidades interessantes no modelo de negócio. Para chegar a todos os valores e cálculos irei utilizar o ficheiro excel com todas as estatísticas relativamente a todos os empréstimo na Raize, disponível aqui.

Como é que a Raize faz dinheiro?

A pergunta é muito interessante. Dado que os investidores não têm nenhum custo e estamos a eliminar o banco (intermediário), como é que a Raize ganha dinheiro?
Ora, através do ponto 16 das condições Gerais, a Raize cobra 3% por todos os empréstimos financiados na plataforma.
De Dezembro de 2014 a Maio de 2017 a Raize já ganhou 178.530€ a cobrar essa comissão.

O que significa risco A, B ou C+?


Existem 6 bandas de risco na Raize. Um empréstimo com risco a tem muito mais probabilidade de sucesso que uma empresa de risco C. Riscos mais elevados comportam rendimentos mais elevados, mas mesmo assim é necessário adotar uma estratégia de diversificação para minimizar as possíveis perdas de capital.

E se a empresa quiser pagar tudo antes do fim do empréstimo?

O reembolso antecipado é uma possibilidade. Todos os contratos de mútuo tem essa possibilidade prevista. Caso isso aconteça, a empresa tem de pagar aos investidores 20% dos juros futuros que o investidor iria receber.

Os relatórios das empresas estão sempre corretos?

Nem sempre. É preciso saber contabilidade para detectar alguns erros graves. Como sabemos, as empresas tentam sempre fugir ao fisco e às vezes até declaram despesas acima do previsto. Apesar da realidade nos casos em baixo não ser essa, falta algumas informações para chegarmos a alguma resposta concreta.
Chegamos a um primeiro caso. Este balanço não está feito da forma mais correta. Podemos observar que pode ter havido um engano ao contabilizar os ativos, uma vez que existe um valor negativo em equipamento biológico e o mesmo valor positivo em outros ativos fixos tangíveis. Para além disso, apesar do resultado líquido do período apresentar valores positivos, os resultados transitados (para onde vai os valores do resultado líquido do período + reservas) não apresenta os valores mais transparentes. Seria preciso averiguar para saber concretamente a que se deve esta discrepância. 

Mais uma vez este balanço está com erros graves. Não existem depreciações dos ativos fixos. Parece que a empresa está a depreciar o ativo pelo valor bruto (não sabendo bem que movimento contabilístico é este) e não contabiliza as depreciações. Para além disso, o resultado líquido é outra vez positivo mas os resultados transitados apresenta discrepâncias.

Chegamos a mais erros graves de contabilidade. Esta empresa não está a depreciar o equipamento básico e está a depreciar a mais o equipamento administrativo e outros AFT. Ora bem, não é preciso alongar-me muito neste tema, mas quando fazemos uma depreciação estamos a retirar valor ao que temos. Como é óbvio o limite é 0 e não podemos dizer que algo que temos vale -449€, por exemplo.

A taxa de juro é real?

Existe uma diferença entre a taxa de juro bruta e real, dado que pagamos 28% de imposto sobre os juros. Mas, assumindo que a taxa de juro bruta é igual à taxa de juro real, mesmo assim esta percentagem não corresponde à realidade. A Raize utiliza um sistema de pagamentos igual ao dos bancos. Basicamente cada prestação tem uma percentagem de amortização de capital e outra percentagem de juros. Ao inicio pagamos mais juro pois temos mais capital para amortizar mas depois os juros vão baixando de percentagem (como podem observar pela tabela em cima). Ora, como existe pagamento do montante em dívida, esse montante pago deixa de estar abrangido pela taxa de juro que temos no empréstimo. Para termos uma taxa de juro igual à que está no contrato temos de continuar a investir esse capital que já foi pago.
Para além disso a taxa de juro acordada não contabiliza o tempo em que o nosso capital fica retido para o empréstimo e a data em que ele efetivamente começa.

E se a empresa não pagar a tempo?

Supostamente a Raize dá 3 meses para que a empresa pague o montante em dívida. Passado esse tempo supostamente a empresa entra em incumprimento definitivo. Isso está no contrato mas sei, através da minha própria conta, que a Raize não cumpre com esta condição.
Por exemplo, a Pneus União está neste momento com 6 prestações em atraso. Já passou o dobro do tempo que a Raize dá no contrato, mas mesmo assim a Raize não está a colocar este empréstimo em recuperação.
O ponto 16 das condições gerais da Raize refere ainda: "A RAIZE cobrará a Empresas com pagamentos em atraso uma comissão de 50 € por semana por prestação em atraso por esforços relacionados com a recuperação de prestações em atraso, às quais poderão acrescer outras despesas e honorários tal como previsto no contrato de mútuo."
Infelizmente este valor rapidamente se acumula. Se a comissão de 50€ é por prestação E por semana, é mais barato ficar em incumprimento com o banco do que com a Raize.

Quem me representa quando as coisas correm mal?

O ponto 15 das condições gerais indica que:
O Investidor declara expressamente que consente que a RAIZE atue em sua representação no âmbito do cumprimento dos contratos de mútuo que este venha a celebrar através da Plataforma RAIZE, incluindo em eventuais procedimentos de restruturação ou procedimentos judiciais e/ou extrajudiciais de recuperação de créditos, tais como acordos de restruturação ou em Assembleias de Credores de Empresas em Insolvência ou Situação de Insolvência. (...) O Investidor terá 5 dias para impedir esta cessão de posição, caso decida prosseguir com o processo judicial pessoalmente e separadamente.
Ou seja, por norma é a Raize que representa o investidor, a não ser que o investidor queira fazer esse processo separadamente, pelo que terá de referir isso à Raize num prazo de 5 dias.

Notas Finais

Acima de tudo, o investidor tem de saber que emprestar a empresas pode resultar em perdas no capital investido. A Raize continua com muitas arestas por limar e esperemos que, com a continuação da plataforma, estas arestas sejam limadas.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O que fazer com Baixas Taxas de Juro?

As baixas taxas de juro são bastante positivas, ou negativas, dependendo do lado em que estamos.
Para quem antecipa consumo futuro através de um empréstimo bancário (seja habitação, automóvel ou pessoal) tem uma taxa de juro (Euribor) e um spread associado, pagando juros pelo empréstimo. Quem poupa dinheiro para consumo futuro recebe juros que podem ajudar a combater a inflação.

Mas, o que é a Taxa Euribor?

A taxa euribor é conhecida por muitos Portugueses. Esta taxa de juro é a taxa de referência nos empréstimos pessoais e empréstimos à habitação. Dependendo do modo como é revista, a prestação que pagamos está dependente desta taxa.
Assim sendo, nos últimos meses assistimos a uma descida acentuada desta taxa. A descida foi tão grande que está atualmente negativa.
A tabela da taxa euribor nos vários períodos é atualmente esta. De acordo com as políticas monetárias do Banco Central Europeu poderemos vir a assistir valores negativos nas taxas de juro durante os próximos meses ou anos.

Porque coloca o BCE taxas negativas na Euribor?

A taxa Euribor serve apenas para uma coisa, controlar o nível de inflação de um grupo de países. No caso dos países da zona Euro, o BCE gosta de manter a inflação em níveis perto dos 2%. Quando a inflação é superior aumenta a taxa de juro e, quando é inferior diminui a taxa de juro.
Essas variações geram períodos de investimento quando a taxa Euribor está baixa e geram períodos de poupança quando a taxa Euribor está alta. A taxa Euribor faz variar a taxa dos depósitos a prazo nos bancos, considerados depósitos sem risco, na mesma proporção que a variação na taxa euribor. Por exemplo, hoje em dia vemos que os bancos têm taxas de juro quase iguais a 0% TANB, quando em ano anteriores tínhamos 2% ou 3%.
Imaginando que somos um investidor e queremos abrir um novo negócio. No plano de negócios verificamos que esse negócio gera um retorno de 5% ao ano. Nesse mesmo ano os bancos tinham depósitos a prazo com uma TANB de 5% por 2 anos. Neste caso é melhor para o investidor aplicar esse valor num depósito a prazo, dado que obtém o mesmo rendimento e, neste caso, é uma taxa garantida sem qualquer risco.

Onde Investir com baixas taxas de juro?

A situação em cima não é o que acontece neste ano (2016). Com os depósitos a prazo a apresentarem taxas perto dos 0% TANB, o investimento é largamente fomentado. Hoje em dia os bancos incentivam os empreendedores e investidores a pedirem empréstimos (pagando juros quase nulos) para investir no mercado, e aumentar a inflação.
Para os investidores de fundos de investimento, acções e obrigações, infelizmente a situação não é melhor. As empresas beneficiam das baixas taxas de juro, mas neste momento as acções estão a ser negociadas com múltiplos de lucros demasiado elevados. As obrigações são quase inexistentes e, quando existem, são a uma taxa mais baixa. A realidade é que as empresas beneficiam das baixas taxas de juro como os particulares, pelo que não necessitam de obrigações para se financiarem.
A realidade é que os investimento comuns estão a ter um rendimento mais baixo do que era espectável. Sejam acções, obrigações, metais preciosos, o triste desafio é revelado quando os investidores vão ser premiados com um rendimento inferior, com o mesmo risco.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Raize: Uma revolução nos Empréstimos P2B

Hoje apresento aos meus leitores a Raize.


Esta plataforma de investimentos existe desde 2014 e começou a ficar conhecida depois de ter sido finalista no prémio de inovação da NOS em 2015. Este não foi o único prémio ganho por esta plataforma, tendo conseguido vencer o prémio de Start-Up do ano, entregue pela ACEPI - Associação da Economia Digital em Setembro de 2015.

Antes de falarmos sobre a plataforma em si, temos de ter em conta a posição dos bancos no financiamento das empresas.  Cerca de 40% das PME's (Pequenas e Médias Empresas) financiam-se junto dos bancos com montantes inferiores a 20.000€. Os bancos vão buscar estes montantes aos depósitos a prazo e outros produtos de baixo risco, depositados pelos clientes. Efectivamente os depositantes do banco recebem cerca de 1,5% do valor depositado (o que, às vezes, nem chega para a inflação) e o banco cobra às empresas cerca de 10%. O banco ganha a diferença entre os dois empréstimos. O problema começa com os bancos a cortarem estes financiamentos, colocando as empresas mais limitadas para se financiarem.

É aqui que a Raize entra. Esta plataforma de empréstimos P2B (Person to Business) é uma revolução em Portugal cortando o intermediário (o banco). Assim, as empresas financiam-se a uma taxa mais baixa e os depositantes ganham um montante superior. Do lado das empresas, apenas é necessário que as mesmas não tenham dividas ao fisco. A Raize torna-se, assim, na 1ª bolsa de empréstimos coletivos em Portugal.



Observando as estatísticas do website, podemos observar que existem cerca de 4300 membros a financiarem as empresas. a TANB (Taxa Anual Nominal Bruta) média é de 6,3% e o montante já financiado ultrapassa 1.500.000€.

A plataforma apresenta uma TANB sugerida em cada empréstimo, sendo esta taxa calculada de acordo com o balanço, a demonstração de resultados e a duração do empréstimo. Os utilizadores também podem ver o relatório completo da empresa dos últimos três anos, assim como o histórico de empréstimos passados desta empresa na plataforma.

Desde Outubro de 2015 que invisto nesta plataforma. Tenho atualmente 15 empréstimos a empresas do continente e ilhas, e posso dizer que me encontro bastante satisfeito. Já houve situações de empresas que demoraram a pagar uma determinada prestação, mas foi caso único e ficou solucionado em poucos dias.

O mercado encontra-se estagnado para os investimentos, e é nestas alturas que um investidor pensa em investimentos alternativos aos depósitos a prazo. Não me sinto ganancioso para investir em empresas de maior risco (risco C), portanto a minha taxa de juro média ronda os 5% de TANB.

Não se esqueçam de diversificar o vosso investimento. O valor mínimo a investir em cada empresa são 20€ e, para quem tem pouco capital, sugiro diversificar para que, se uma empresa deixar de pagar, as outras compensam esse prejuízo potencial.

Recordo também que aqui não existe capitalização dos juros. Todos os meses recebemos uma prestação e, na minha opinião, o certo é colocar esse juro noutro empréstimo a outra empresa, de forma a produzir juro de juro, aumentando os nossos ganhos.