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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Raize - Empréstimo em Recuperação

Após ter falado anteriormente sobre a Raize não ter cumprindo com as condições contratuais, em relação a um contrato com a Pneus União, a Raize colocou o empréstimo em recuperação! Apesar de não ser uma situação ideal, agora posso relatar o que faz a Raize quando um empréstimo está em recuperação. Qualquer novidade será comunicada para aqui, como exemplo a futuras especulações relacionadas com a Raize.
A Raize envia um e-mail a todos os investidores a informar sobre a decisão de ter colocado o empréstimo em recuperação. Mas não é apenas por e-mail que os investidores são informados!
A nossa área pessoal também fica atualizada para refletir os empréstimos em recuperação. O montante em recuperação corresponde ao capital investido e juros ainda por receber.
Se formos pesquisar o empréstimo pelo estado conseguimos logo encontrar a empresa. A parte superior fica a vermelho para refletir o estado do empréstimo.
Como combinado contratualmente, todas as prestações de capital e juros ficam em recuperação. A página do empréstimo e da empresa dentro da plataforma não apresenta nenhuma informação ou novidade sobre o empréstimo ou estado da recuperação. Esta é uma critica que eu e os outros investidores partilhamos. Infelizmente a Raize não é completamente transparente com os investidores nos empréstimos onde participam, quando as coisas não correm bem. Já vos disse nos posts anteriores que fiquei sem qualquer informação durante mais de 3 meses sobre este empréstimo, algo que não deveria acontecer.

Nota Importante

Informo todos os investidores que o estado Português não concede benefícios fiscais a perdas de capital neste tipo de investimentos. No caso de perdermos algum capital, essa mais valia não pode ser deduzida em lado nenhum, como me informou a Raize. Ainda questionei se, mesmo englobando os juros no IRS, iriam dar-me o direito de abater esta perda de capital (quando efetivamente se concretizar) nos juros, e fui informado que não seria possível.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dois anos com a Raize!

Há um ano escrevi o meu primeiro artigo sobre a Raize, aqui. Desde então a plataforma tem crescido a um ritmo muito interessante, como as estatísticas mostram.

Quase 7 milhões de Euros em financiamento e com mais de 11000 utilizadores mostra que a Raize tem pernas para andar neste mundo dos financiamentos B2B.
Em média, os investidores estão com uma taxa de juro de 7,53%. Mesmo com o capital em incumprimento podemos verificar que o retorno continua a ser bastante interessante. desde o lançamento a plataforma tem 0,25% do crédito dado como incobrável. Em termos de valores reais, estamos a falar de 14877,50€ que ficaram por receber.

O meu caso concreto

Falando na minha conta apenas, posso-vos dizer que tenho cerca de 250€ investidos em 21 empresas. Infelizmente o montante mínimo é demasiado elevado para ter uma estratégia de diversificação mais aceitável (cerca de 5% em cada empresa), mas felizmente as empresas vão pagando.
Dos 21 empréstimos em carteira já tive casos em que as empresas demoraram a pagar uma prestação. Algumas atrasaram-se algumas prestações devido a dificuldades de tesouraria, diz a Raize.

A Angopoças atrasou-se algumas prestações mas depois acabou por amortizar o empréstimo antecipadamente. Ainda bem que isso aconteceu pois hoje mesmo fui ver a empresa e encontra-se em processo de insolvência. Este caso poderia ter corrido muito pior para os investidores.

Apesar de não ter acontecido a mim, existem investidores que têm uma empresa em carteira que sofreu um PER (Plano Especial de Revitalização). O prazo de amortização foi alargado para mais de 100 prestações, com uma taxa de juro muito abaixo do previsto inicialmente. Apesar deste inconveniente, é melhor receber mais tarde que nunca.

Estou neste momento com uma empresa em atraso. A Pneus União está com 6 prestações em atraso. Supostamente isto deveria ter sido colocado em recuperação mas a Raize não se encontra a cumprir com o estipulado, como podem ver aqui.

Ainda assim estou com uma TANB de 7%. Esta TANB faz a média da taxa de juro dos empréstimos em carteira. Alerto para o facto das prestações dos empréstimos serem feitas através de capital e juro. Ou seja, como estamos a receber capital temos de ter o cuidado de voltar a colocar esse capital a render, senão vamos estar com uma taxa de juro que não corresponde à realidade. Esta TANB também não tem em conta todo o tempo que demora deste o momento em que a Raize retém capital e o empréstimo efetivamente começa (vamos abordar isso mais à frente).

Notas Finais

Apesar do modelo não estar completamente afinado, a Raize apresentou uma proposta de valor muito interessante para os investidores no nosso país. O que acham da Raize?

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Análise à Raize

Depois de comemorar dois anos a investir com a Raize decidi fazer uma análise mais aprofundada ao modelo de negócio da Raize, assim como referir algumas particularidades interessantes no modelo de negócio. Para chegar a todos os valores e cálculos irei utilizar o ficheiro excel com todas as estatísticas relativamente a todos os empréstimo na Raize, disponível aqui.

Como é que a Raize faz dinheiro?

A pergunta é muito interessante. Dado que os investidores não têm nenhum custo e estamos a eliminar o banco (intermediário), como é que a Raize ganha dinheiro?
Ora, através do ponto 16 das condições Gerais, a Raize cobra 3% por todos os empréstimos financiados na plataforma.
De Dezembro de 2014 a Maio de 2017 a Raize já ganhou 178.530€ a cobrar essa comissão.

O que significa risco A, B ou C+?


Existem 6 bandas de risco na Raize. Um empréstimo com risco a tem muito mais probabilidade de sucesso que uma empresa de risco C. Riscos mais elevados comportam rendimentos mais elevados, mas mesmo assim é necessário adotar uma estratégia de diversificação para minimizar as possíveis perdas de capital.

E se a empresa quiser pagar tudo antes do fim do empréstimo?

O reembolso antecipado é uma possibilidade. Todos os contratos de mútuo tem essa possibilidade prevista. Caso isso aconteça, a empresa tem de pagar aos investidores 20% dos juros futuros que o investidor iria receber.

Os relatórios das empresas estão sempre corretos?

Nem sempre. É preciso saber contabilidade para detectar alguns erros graves. Como sabemos, as empresas tentam sempre fugir ao fisco e às vezes até declaram despesas acima do previsto. Apesar da realidade nos casos em baixo não ser essa, falta algumas informações para chegarmos a alguma resposta concreta.
Chegamos a um primeiro caso. Este balanço não está feito da forma mais correta. Podemos observar que pode ter havido um engano ao contabilizar os ativos, uma vez que existe um valor negativo em equipamento biológico e o mesmo valor positivo em outros ativos fixos tangíveis. Para além disso, apesar do resultado líquido do período apresentar valores positivos, os resultados transitados (para onde vai os valores do resultado líquido do período + reservas) não apresenta os valores mais transparentes. Seria preciso averiguar para saber concretamente a que se deve esta discrepância. 

Mais uma vez este balanço está com erros graves. Não existem depreciações dos ativos fixos. Parece que a empresa está a depreciar o ativo pelo valor bruto (não sabendo bem que movimento contabilístico é este) e não contabiliza as depreciações. Para além disso, o resultado líquido é outra vez positivo mas os resultados transitados apresenta discrepâncias.

Chegamos a mais erros graves de contabilidade. Esta empresa não está a depreciar o equipamento básico e está a depreciar a mais o equipamento administrativo e outros AFT. Ora bem, não é preciso alongar-me muito neste tema, mas quando fazemos uma depreciação estamos a retirar valor ao que temos. Como é óbvio o limite é 0 e não podemos dizer que algo que temos vale -449€, por exemplo.

A taxa de juro é real?

Existe uma diferença entre a taxa de juro bruta e real, dado que pagamos 28% de imposto sobre os juros. Mas, assumindo que a taxa de juro bruta é igual à taxa de juro real, mesmo assim esta percentagem não corresponde à realidade. A Raize utiliza um sistema de pagamentos igual ao dos bancos. Basicamente cada prestação tem uma percentagem de amortização de capital e outra percentagem de juros. Ao inicio pagamos mais juro pois temos mais capital para amortizar mas depois os juros vão baixando de percentagem (como podem observar pela tabela em cima). Ora, como existe pagamento do montante em dívida, esse montante pago deixa de estar abrangido pela taxa de juro que temos no empréstimo. Para termos uma taxa de juro igual à que está no contrato temos de continuar a investir esse capital que já foi pago.
Para além disso a taxa de juro acordada não contabiliza o tempo em que o nosso capital fica retido para o empréstimo e a data em que ele efetivamente começa.

E se a empresa não pagar a tempo?

Supostamente a Raize dá 3 meses para que a empresa pague o montante em dívida. Passado esse tempo supostamente a empresa entra em incumprimento definitivo. Isso está no contrato mas sei, através da minha própria conta, que a Raize não cumpre com esta condição.
Por exemplo, a Pneus União está neste momento com 6 prestações em atraso. Já passou o dobro do tempo que a Raize dá no contrato, mas mesmo assim a Raize não está a colocar este empréstimo em recuperação.
O ponto 16 das condições gerais da Raize refere ainda: "A RAIZE cobrará a Empresas com pagamentos em atraso uma comissão de 50 € por semana por prestação em atraso por esforços relacionados com a recuperação de prestações em atraso, às quais poderão acrescer outras despesas e honorários tal como previsto no contrato de mútuo."
Infelizmente este valor rapidamente se acumula. Se a comissão de 50€ é por prestação E por semana, é mais barato ficar em incumprimento com o banco do que com a Raize.

Quem me representa quando as coisas correm mal?

O ponto 15 das condições gerais indica que:
O Investidor declara expressamente que consente que a RAIZE atue em sua representação no âmbito do cumprimento dos contratos de mútuo que este venha a celebrar através da Plataforma RAIZE, incluindo em eventuais procedimentos de restruturação ou procedimentos judiciais e/ou extrajudiciais de recuperação de créditos, tais como acordos de restruturação ou em Assembleias de Credores de Empresas em Insolvência ou Situação de Insolvência. (...) O Investidor terá 5 dias para impedir esta cessão de posição, caso decida prosseguir com o processo judicial pessoalmente e separadamente.
Ou seja, por norma é a Raize que representa o investidor, a não ser que o investidor queira fazer esse processo separadamente, pelo que terá de referir isso à Raize num prazo de 5 dias.

Notas Finais

Acima de tudo, o investidor tem de saber que emprestar a empresas pode resultar em perdas no capital investido. A Raize continua com muitas arestas por limar e esperemos que, com a continuação da plataforma, estas arestas sejam limadas.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Raize: Uma revolução nos Empréstimos P2B

Hoje apresento aos meus leitores a Raize.


Esta plataforma de investimentos existe desde 2014 e começou a ficar conhecida depois de ter sido finalista no prémio de inovação da NOS em 2015. Este não foi o único prémio ganho por esta plataforma, tendo conseguido vencer o prémio de Start-Up do ano, entregue pela ACEPI - Associação da Economia Digital em Setembro de 2015.

Antes de falarmos sobre a plataforma em si, temos de ter em conta a posição dos bancos no financiamento das empresas.  Cerca de 40% das PME's (Pequenas e Médias Empresas) financiam-se junto dos bancos com montantes inferiores a 20.000€. Os bancos vão buscar estes montantes aos depósitos a prazo e outros produtos de baixo risco, depositados pelos clientes. Efectivamente os depositantes do banco recebem cerca de 1,5% do valor depositado (o que, às vezes, nem chega para a inflação) e o banco cobra às empresas cerca de 10%. O banco ganha a diferença entre os dois empréstimos. O problema começa com os bancos a cortarem estes financiamentos, colocando as empresas mais limitadas para se financiarem.

É aqui que a Raize entra. Esta plataforma de empréstimos P2B (Person to Business) é uma revolução em Portugal cortando o intermediário (o banco). Assim, as empresas financiam-se a uma taxa mais baixa e os depositantes ganham um montante superior. Do lado das empresas, apenas é necessário que as mesmas não tenham dividas ao fisco. A Raize torna-se, assim, na 1ª bolsa de empréstimos coletivos em Portugal.



Observando as estatísticas do website, podemos observar que existem cerca de 4300 membros a financiarem as empresas. a TANB (Taxa Anual Nominal Bruta) média é de 6,3% e o montante já financiado ultrapassa 1.500.000€.

A plataforma apresenta uma TANB sugerida em cada empréstimo, sendo esta taxa calculada de acordo com o balanço, a demonstração de resultados e a duração do empréstimo. Os utilizadores também podem ver o relatório completo da empresa dos últimos três anos, assim como o histórico de empréstimos passados desta empresa na plataforma.

Desde Outubro de 2015 que invisto nesta plataforma. Tenho atualmente 15 empréstimos a empresas do continente e ilhas, e posso dizer que me encontro bastante satisfeito. Já houve situações de empresas que demoraram a pagar uma determinada prestação, mas foi caso único e ficou solucionado em poucos dias.

O mercado encontra-se estagnado para os investimentos, e é nestas alturas que um investidor pensa em investimentos alternativos aos depósitos a prazo. Não me sinto ganancioso para investir em empresas de maior risco (risco C), portanto a minha taxa de juro média ronda os 5% de TANB.

Não se esqueçam de diversificar o vosso investimento. O valor mínimo a investir em cada empresa são 20€ e, para quem tem pouco capital, sugiro diversificar para que, se uma empresa deixar de pagar, as outras compensam esse prejuízo potencial.

Recordo também que aqui não existe capitalização dos juros. Todos os meses recebemos uma prestação e, na minha opinião, o certo é colocar esse juro noutro empréstimo a outra empresa, de forma a produzir juro de juro, aumentando os nossos ganhos.