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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Quem Poupa Mais - Os Americanos ou os Europeus?

Um artigo de Janeiro de 2017 do Market Watch falava sobre as capacidades de poupança dos Americanos e dos Europeus. O artigo não só fala que os Americanos são maus a poupar dinheiro, mas ainda refere que os Europeus estão numa situação bastante pior.
Para além disso, o artigo refere-se a um gráfico feito pelo banco Alemão:

O estudo culpa as baixas taxas de juro dos depósitos a prazo. Com uma taxa de juro tão baixa os aforradores não vêm vantagens em poupar para receber tão pouco. Aparentemente a descida das taxas de juro cumpriu um dos objetivos do BCE, o de promover o consumo em vez da poupança.

No entanto, apesar destes gastos estarem a fomentar a economia, isto pode trazer consequências mais à frente. A poupança é essencial para fazer face a problemas futuros, como desemprego ou gastos não previstos (despesas médicas, sinistro automóvel, entre outros).

Problemas com o Estudo

No entanto o estudo apresenta diversos problemas. Não só apenas se baseia numa questão vaga (não refere valores e a amostra é muito pequena), como também não refere o facto de poupar nos EUA ser muito mais importante que poupar na Europa.
Na Europa teremos sempre um rendimento garantido quando nos reformarmos. Apesar de não ser um valor muito elevado, podemos sempre complementar com uma eventual poupança que tenhamos feito durante a sua vida. Já nos EUA a poupança é a maior fonte de rendimento quando se entra na idade da reforma. Infelizmente os cidadãos dos EUA estão muito mais dependentes da sua poupança do que nós Europeus.
Mas, e cá em Portugal? Poupamos muito ou pouco?
Felizmente o website da Pordata tem estatísticas referentes à poupança das famílias. Desde que o Euro entrou em circulação, o nosso país tem conseguido níveis de poupança bastante interessantes. Infelizmente, com a crise económica e a entrada do FMI em Portugal no ano de 2011, todos sabemos as famosas reformas ruinosas que foram feitas no nosso país. A elevada carga fiscal sobre as famílias fez com que os rendimentos deixassem de conseguir fazer face às despesas.
Portugal ficou cheio dos chamados "novos pobres". As famílias recebiam ordenados mas não conseguiam pagar os empréstimos à habitação e automóvel. O efeito bola de neve causou efeitos nefastos na média da poupança das famílias, como podem ver pelo gráfico em cima.
Para além disso, podemos ver que Portugal está a aproveitar as baixas taxas de juro para consumir em vez de poupar para o futuro. A nossa economia está a crescer, mas os resultados futuros ainda estarão para vir.

Notas Finais

Poupar é bastante importante quando estamos a fazer investimentos. Os reforços na nossa carteira de investimentos poderão trazer frutos muito interessantes nas nossas vidas futuras. A realidade é que, ao pouparmos, estamos também a investir num consumo futuro.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Porque razão existem Obrigações com taxas negativas?

Começamos hoje com uma imagem. O gráfico em cima mostra as taxas de juro de $47,3 biliões em obrigações, dentro de 24 moedas diferentes e desde obrigações de países em desenvolvimento e países desenvolvidos. O resultado do gráfico mostra uma tendência algo preocupante. Mais de 20% das obrigações emitidas são a juros negativos, e mais de metade têm uma taxa de juro inferior a 1%.

Mas porque razão isto está a acontecer?

Apesar de existirem obrigações com taxas de juros negativas desde 2012, este fenómeno aumentou desde que o Banco Central Europeu decidiu cortar a taxa de depósitos para valores negativos em 2014. Assim, o BCE está a fomentar o crescimento da sua economia, aliciando os investidores para retornos mais apelativos em outras áreas de investimento como Acções, Futuros e Obrigações de países em desenvolvimento.
Com isto a acrescer ao facto do Reino Unido ter perdido para sair da União Europeia e haver suspeitas de que o sistema bancário Italiano está com problemas graves, os investidores estão com bastante receio do futuro.

Em alturas de volatilidade os investidores não têm muito por onde escolher. Se continuarem com os seus investimentos nessas zonas geográficas vão ter períodos de elevada volatilidade e vão perder dinheiro, mas ao investirem nesta obrigações têm a segurança de que vão perder apenas uma percentagem do seu capital.
Para nós, os pequenos investidores, não existem razões para alterarmos a nossa carteira, mas convém entendermos o que está a acontecer na Europa e no mundo.