quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Beneficios dos Dividendos Portugueses

No passado mês de Março recebi um mail do BCP com uma newsletter muito interessante. Confesso que normalmente não as leio, mas esta newsletter serviu para falar sobre o tema de hoje.
Hoje vamos falar sobre dividendos nas acções Portuguesas.

Normalmente sou averso aos dividendos pois os dividendos é sinonimo de várias coisas. Não só pagamos mais valias como também pagar dividendos numa empresa que está em crescimento não faz sentido. Para além disso, a acção desconta a percentagem do dividendo. No entanto, a investigação do BCP chegou à conclusão que a acção não desconta o equivalente ao dividendo.

Citando a newsletter do BCP que refere este fenómeno:
"Teoricamente, a ação deveria descontar o efeito dividendo e cair em linha com a dividend yield respetiva. Surpreendentemente, ou não, este efeito acaba por ser positivo em todas as ações enquadradas no estudo, com a cotação a descontar menos que o dividendo absoluto, gerando o que chamamos na tabela abaixo de 'Ex Div Effect' positivo. As empresas que mais denotam este perfil são Sonae Capital, Corticeira Amorim, CTT e Sonae."
A tabela em cima mostra o Ex Dividend Effect positivo nas cotadas Portuguesas. Com isto em mente, as cotadas Portuguesas são ideais para investir tendo em consideração os dividendos, pois o nosso capital é remunerado a uma percentagem superior aos depósitos a prazo. Isto claro, considerando que o preço da acção não desce abaixo do preço de compra.


A ajudar ao texto que estou a escrever, a newsletter apresenta ainda este gráfico, que compara o Dividend Yield do nosso PSI-20 e do índice Euro Stoxx. Como podem observar o nosso índice é, na maior parte das vezes, mais atrativo que o índice da Euro Stoxx.
Em termos de percentagens absolutas, a newsleteer refere que o histórico nestes últimos 12 meses tem sido de 4% para o PSI-20 e 3,3% para o índice Euro Stoxx.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Porque razão existem Obrigações com taxas negativas?

Começamos hoje com uma imagem. O gráfico em cima mostra as taxas de juro de $47,3 biliões em obrigações, dentro de 24 moedas diferentes e desde obrigações de países em desenvolvimento e países desenvolvidos. O resultado do gráfico mostra uma tendência algo preocupante. Mais de 20% das obrigações emitidas são a juros negativos, e mais de metade têm uma taxa de juro inferior a 1%.

Mas porque razão isto está a acontecer?

Apesar de existirem obrigações com taxas de juros negativas desde 2012, este fenómeno aumentou desde que o Banco Central Europeu decidiu cortar a taxa de depósitos para valores negativos em 2014. Assim, o BCE está a fomentar o crescimento da sua economia, aliciando os investidores para retornos mais apelativos em outras áreas de investimento como Acções, Futuros e Obrigações de países em desenvolvimento.
Com isto a acrescer ao facto do Reino Unido ter perdido para sair da União Europeia e haver suspeitas de que o sistema bancário Italiano está com problemas graves, os investidores estão com bastante receio do futuro.

Em alturas de volatilidade os investidores não têm muito por onde escolher. Se continuarem com os seus investimentos nessas zonas geográficas vão ter períodos de elevada volatilidade e vão perder dinheiro, mas ao investirem nesta obrigações têm a segurança de que vão perder apenas uma percentagem do seu capital.
Para nós, os pequenos investidores, não existem razões para alterarmos a nossa carteira, mas convém entendermos o que está a acontecer na Europa e no mundo.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Qual o melhor Supermercado de Fundos de Investimento

Em 2015 o Observador colocou um artigo a falar sobre os supermercados de fundos. Agora, em 2017, vamos abordar este tema pela primeira vez aqui. Ora bem, quando falamos em supermercados de fundos de investimento falamos em bancos que têm todo o tipo de fundos de investimento, de várias gestoras nacionais e internacionais.

A Banca Tradicional

Infelizmente a oferta disponível na banca tradicional é muito pobre. Como a banca tradicional procura clientes que queiram créditos, depósitos a prazo, cartões de crédito e seguro, o negócio foge do investimento na oferta de fundos de investimento. Não se devem subscrever fundos de investimento através da banca nacional dado que a oferta é muito pobre, mas existem casos pontuais.
Existem fundos de investimento nacionais bastante interessantes e disponíveis para subscrição através da banca tradicional. Um exemplo é o NB Obrigações Europa, disponível para subscrição no Novo Banco.

Uma simples leitura do website do Santander indica que todos os fundos disponíveis para subscrição são do Santander. O Millennium BCP já tem uma oferta maior, apresentando uma oferta de 161 fundos de investimento com alguma oferta internacional. Ainda assim, essa oferta fica muito distante da banca online, que vamos falar em seguida.

A Banca Online

É aqui onde existe mais oferta de fundos de investimento. através do seu gestor de conta pode obter conselhos sobre que produtos subscrever e a alocação mais desejada para o seu perfil de risco.

O banco Best lidera a oferta de fundos de investimento. São 2854 fundos disponíveis para o investidor escolher. Por isso mesmo é que é importante falar com o seu gestor de conta, pois um investidor pode-se sentir perdido no meio de tanta oferta.

O BIG fica em segundo lugar com um total de 1071 fundos disponíveis. Apesar duma robusta oferta, a realidade é que o banco conta com o Fund Advisor para aconselhar os clientes acerca dos fundos que deve escolher, de acordo com o seu perfil de risco.

O Activobank tem uma oferta de fundos de investimento mais pobre, apenas com 634. Aqui já se nota algumas limitações na oferta aos investidores. Já houve vezes em que questionei sobre fundos de investimento de obrigações com dividendos e foi-me negado pois não existia oferta para a minha procura. Felizmente o banco Best tinha essa oferta e pude subscrever um fundo de obrigações junto do banco Best. No entanto o Activobank pode ter mínimos de subscrição mais brandos. Já tive fundos que reforcei através do Activobank pois apenas necessitava de reforçar com um mínimo de 50€, em vez dos 1000€ pedidos no banco Best. Como é óbvio isto são situações pontuais, que o investidor pode ver caso a caso quando escolher os fundos de investimento.

Por últimos temos o banco Invest com 497 fundos de investimento disponíveis. O banco Invest não tem como prioridade apresentar uma grande oferta de fundos de investimento, mas sim de apresentar alternativas interessantes para os seus clientes. Ainda assim o banco Invest tem fundos de investimento essenciais para os investidores, e até agora não senti nenhuma limitação na oferta dos fundos de investimento.

Notas Finais

Os fundos de investimento são uma alternativa de investimento interessante. Os investidores têm é de ter cuidado com os fundos de investimento que subscrevem, dado que podem existir fundos de investimento muito mais interessantes para o mesmo risco.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Uma Lição de História sobre Diversificação

Todos sabemos da importância da diversificação, e até eu já fiz alguns textos a falar sobre diversificação, mas hoje é diferente. Hoje vamos ter uma lição de história, a realidade da diversificação.
Um investidor inexperiente pode falar que a diversificação não vale a pena. Ele comprou umas unidades do ETF do S&P500 nos últimos anos e aquilo tem estado sempre a subir, portanto nem sequer pensa em diversificar através de depósitos a prazo ou de obrigações governamentais.

A tabela em cima mostra a performance entre as diferentes classes de ativos. O que está em cima rendeu mais e cada classe de ativos tem a sua própria cor.
Podemos observar que a classe das Commodities teve retornos horríveis nos últimos anos. A crise mundial de 2008 mexeu muito com os preços e procura nesta classe de ativos. Já em 2016 houve um aumento dado o aumento pelas construções e gastos que os governos e empresas estão a fazer.
As Ações são outra classe de ativos que levaram uma cacetada em 2008 e em 2011 com a crise económica mundial. Em 2017 as ações recuperaram todas as perda desses anos, estando até acima dos valores de 2008.

Sem Diversificação:

Se um investidor tivesse comprado €100 em Commodities em 2011, iria chegar a 2015 com €49 em carteira. O retorno anual para esse investimento é de -13,5%. Mesmo com o retorno em 2016, a carteira aumentou para €54.
Já um investimento de €100 em Ações no ano de 2011 iria chegar a 2016 com uma carteira avaliada em €170. Isto traduz-se num retorno anual de 9,2%.

Com Diversificação:

Dado que é impossível prever a classe de ativos que vai ter um retorno mais atrativo todos os anos, é preferível diversificar os investimentos.
Assim, se um investidor em 2011 investir €50 em Commodities e Ações, vai chegar a 2015 com um lucro de €3,20, em vez de perder €51 por investir apenas em Commodities.