quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A Próxima Catástrofe Económica não vai Arrasar com a Bolsa

O título é bastante ousado, mas acho que este artigo merece isso mesmo.
Hoje vamos falar sobre a bolsa e as catástrofes económicas. O que acham que é uma catástrofe económica?

Notícias Atuais

Os media adoram notícias sobre economia. O sensacionalismo reina dentro de alguns media com notícias que podem causar o pânico na população. Vamos lá ver alguns exemplos:
Apesar de Le Pen realmente não ter ganho, é verdade que Trumo ganhou as eleições e que o Brexit está neste momento a acontecer enquanto lemos este artigo. Mas, o que aconteceu ao mercado?

Reacções do Mercado


Supostamente o pânico com a vitória de Trump iria fazer com que o mercado tivesse um crash e entrássemos de novo numa crise económica. No entanto, todos podemos ver que isso não aconteceu. O mercado nem sequer caiu no dia em que Trump ganhou as eleições.

O artigo faz ainda referência a quem tenta prever preços futuros, dizendo que isso não a estratégia mais correta para investir.

A realidade é que a presidência do Trump não alterou o ritmo de subida do S&P500. Desde que o Trump foi eleito como presidente dos EUA, o índice subiu mais de 12%.





Desde que o referendo do UK decidiu a favor de sair da União Europeia, a realidade é que o par cambial GBPUSD está a recuperar lentamente à medida que o pó da incerteza assenta.

Os economistas previram que a taxa de desemprego no UK iria subir consideravelmente, mas o que aconteceu realmente?

As estatísticas previram mais uma vez o oposto. O UK continua com uma tendência de descida no desemprego. O artigo refere ainda que o vencimento dos trabalhadores continua estável, em vez de subir.


Tudo isto serve para mostrar que os investidores não devem olhar para as notícias sensacionalistas. Os economistas tentam prever os dados, mas esses dados não passam de previsões. Todos os investidores já leram o aviso a indicar que "rendimentos passados não são garantia de rendimentos futuros." O mesmo se passa neste caso, em que acontecimentos no passado não dão garantia que o mesmo vá acontecer no futuro.

Notas Finais

Termino com uma citação de Warren Buffett: "No século XX os EUA enfrentaram duas guerras mundiais e outros conflitos mundiais. Para além disso enfrentaram também mais de uma dúzia de crises, quedas acentuadas nas bolsas, crises no petróleo, uma epidemia gripal e uma demissão de um péssimo presidente. Ainda assim o DOW subiu de 66 para 11497."

Esta citação serve para indicar que o mercado irá sempre subir, no longo prazo. Cabe-nos a nós ignorar notícias sensacionalistas e continuar com a nossa estratégia sem estarmos dependentes de eventos macroeconómicos.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Quem Poupa Mais - Os Americanos ou os Europeus?

Um artigo de Janeiro de 2017 do Market Watch falava sobre as capacidades de poupança dos Americanos e dos Europeus. O artigo não só fala que os Americanos são maus a poupar dinheiro, mas ainda refere que os Europeus estão numa situação bastante pior.
Para além disso, o artigo refere-se a um gráfico feito pelo banco Alemão:

O estudo culpa as baixas taxas de juro dos depósitos a prazo. Com uma taxa de juro tão baixa os aforradores não vêm vantagens em poupar para receber tão pouco. Aparentemente a descida das taxas de juro cumpriu um dos objetivos do BCE, o de promover o consumo em vez da poupança.

No entanto, apesar destes gastos estarem a fomentar a economia, isto pode trazer consequências mais à frente. A poupança é essencial para fazer face a problemas futuros, como desemprego ou gastos não previstos (despesas médicas, sinistro automóvel, entre outros).

Problemas com o Estudo

No entanto o estudo apresenta diversos problemas. Não só apenas se baseia numa questão vaga (não refere valores e a amostra é muito pequena), como também não refere o facto de poupar nos EUA ser muito mais importante que poupar na Europa.
Na Europa teremos sempre um rendimento garantido quando nos reformarmos. Apesar de não ser um valor muito elevado, podemos sempre complementar com uma eventual poupança que tenhamos feito durante a sua vida. Já nos EUA a poupança é a maior fonte de rendimento quando se entra na idade da reforma. Infelizmente os cidadãos dos EUA estão muito mais dependentes da sua poupança do que nós Europeus.
Mas, e cá em Portugal? Poupamos muito ou pouco?
Felizmente o website da Pordata tem estatísticas referentes à poupança das famílias. Desde que o Euro entrou em circulação, o nosso país tem conseguido níveis de poupança bastante interessantes. Infelizmente, com a crise económica e a entrada do FMI em Portugal no ano de 2011, todos sabemos as famosas reformas ruinosas que foram feitas no nosso país. A elevada carga fiscal sobre as famílias fez com que os rendimentos deixassem de conseguir fazer face às despesas.
Portugal ficou cheio dos chamados "novos pobres". As famílias recebiam ordenados mas não conseguiam pagar os empréstimos à habitação e automóvel. O efeito bola de neve causou efeitos nefastos na média da poupança das famílias, como podem ver pelo gráfico em cima.
Para além disso, podemos ver que Portugal está a aproveitar as baixas taxas de juro para consumir em vez de poupar para o futuro. A nossa economia está a crescer, mas os resultados futuros ainda estarão para vir.

Notas Finais

Poupar é bastante importante quando estamos a fazer investimentos. Os reforços na nossa carteira de investimentos poderão trazer frutos muito interessantes nas nossas vidas futuras. A realidade é que, ao pouparmos, estamos também a investir num consumo futuro.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Os Perigos da Diversificação a mais

Hoje vamos falar sobre os perigos de diversificarmos de mais a nossa carteira. A diversificação é necessária, mas um excesso de diversificação poderá fazer mais mal do que bem à saúde do nosso portefólio.

Diversificar não é só investir em diversas coisas ao mesmo tempo. Os investidores têm de ter noção da correlação com os ativos que já tem em carteira. Uma correlação próxima de 0 é o ideal para diversificar, menos do que isso já pode trazer perigos para a nossa carteira.

O Warren Buffett escreveu no seu livro uma frase muito interessante: "A diversificação por vários sectores e regiões apenas é necessária quando os investidores não souberem o que estão a fazer." Por outras palavras, a diversificação não traz muitos perigos, mas também deixa de trazer os benefícios desejados.

Vamos fazer um teste com valores exatos para vos dar uma ideia do que estou a falar.
Imaginem que, na tabela em cima temos dois ativos e os respetivos retornos. A nossa carteira tem 50% da acção A e 50% da acção B. A média da nossa carteira anualmente é 0%. Se fizermos uma análise da correlação entre estes dois ativos podemos ver uma correlação inversa perfeita (-1).

O gráfico em cima já nos mostra o resultado da tabela. A nossa carteira não tem nenhum retorno dado a nossa diversificação.

Claro que este exemplo é extremo, mas é para vos mostrar como uma diversificação, principalmente com correlações negativas, pode arruinar os vossos retornos. Existem exemplos de correlações negativas, como o Ouro e alguns pares cambiais.
Como podem ver, o Outro e o par cambial USDCHF tiveram uma correlação negativa durante 11 anos. Convém indicar que as correlações estão sempre a mudar e dependem de vários factores. Mesmo os ativos com correlações mais fortes podem nem sempre agir da forma que esperamos. Como já indiquei muitas vezes, o mercado é sempre imprevisível.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Beneficios dos Dividendos Portugueses

No passado mês de Março recebi um mail do BCP com uma newsletter muito interessante. Confesso que normalmente não as leio, mas esta newsletter serviu para falar sobre o tema de hoje.
Hoje vamos falar sobre dividendos nas acções Portuguesas.

Normalmente sou averso aos dividendos pois os dividendos é sinonimo de várias coisas. Não só pagamos mais valias como também pagar dividendos numa empresa que está em crescimento não faz sentido. Para além disso, a acção desconta a percentagem do dividendo. No entanto, a investigação do BCP chegou à conclusão que a acção não desconta o equivalente ao dividendo.

Citando a newsletter do BCP que refere este fenómeno:
"Teoricamente, a ação deveria descontar o efeito dividendo e cair em linha com a dividend yield respetiva. Surpreendentemente, ou não, este efeito acaba por ser positivo em todas as ações enquadradas no estudo, com a cotação a descontar menos que o dividendo absoluto, gerando o que chamamos na tabela abaixo de 'Ex Div Effect' positivo. As empresas que mais denotam este perfil são Sonae Capital, Corticeira Amorim, CTT e Sonae."
A tabela em cima mostra o Ex Dividend Effect positivo nas cotadas Portuguesas. Com isto em mente, as cotadas Portuguesas são ideais para investir tendo em consideração os dividendos, pois o nosso capital é remunerado a uma percentagem superior aos depósitos a prazo. Isto claro, considerando que o preço da acção não desce abaixo do preço de compra.


A ajudar ao texto que estou a escrever, a newsletter apresenta ainda este gráfico, que compara o Dividend Yield do nosso PSI-20 e do índice Euro Stoxx. Como podem observar o nosso índice é, na maior parte das vezes, mais atrativo que o índice da Euro Stoxx.
Em termos de percentagens absolutas, a newsleteer refere que o histórico nestes últimos 12 meses tem sido de 4% para o PSI-20 e 3,3% para o índice Euro Stoxx.