quinta-feira, 23 de junho de 2016

Companhias Aéreas: Quanto Pagam por Combustível?

O ano de 2015 ficou marcado pela descida abrupta dos preços dos combustíveis.



Nos mercados internacionais, os combustíveis caíram de $110 o barril para $50. Uma queda de 50% no preço dos combustíveis. Para nós, que utilizamos os combustíveis no nosso dia a dia, não acumulamos stock desta matéria-prima, mas o mesmo já não se pode dizer das companhias aéreas.

Existem inúmeras companhias aéreas a operar no mercado europeu. As low-cost, como a Ryanair e a EasyJet, e outras como a Tap, a British Airways e a Air France. Estas companhias aéreas têm um desafio pela frente, que passa por colocar um preço de um bilhete futuro sem saber o preço dos combustíveis nesse mesmo futuro.

Algumas companhias aéreas escolhem os futuros como o instrumento financeiro ideal para se precaverem desta variação dos preços dos combustíveis. Como sabem, os futuros permitem que a pessoa compre hoje um ativo que efetivamente irá transaccionar no futuro. Esse ativo tem um preço teórico e é sobre ele que as companhias aéreas muitas vezes se baseiam ao colocar o preço no bilhete. A companhia aérea compra um contrato futuro para se salvaguardar das variações positivas no preço do combustível e, depois, poderá liquidar esse contrato na data do bilhete, garantindo um ganho (caso o preço do combustível seja superior).

No entanto, este resultado pode ter consequências catastróficas, como foi em 2015.
Por exemplo, o CEO da Delta Ed Bastian admitiu à Bloomberg:
“We’ve lost over the last eight years about $4 billion cumulatively on oil hedges”
Infelizmente estas perdas refletem-se nos preços dos bilhetes, imputado esta perda para os clientes. Ainda assim, os dados relativos à quantidade de petróleo que é protegida num contrato de futuro é privada e difere de companhia para companhia. São muitas as empresas a operar no mercado e cada uma tem a sua estratégia, sendo que essa estratégia é um espelho do pensamento dos gestores dos ativos e matérias primas da empresa.

No entanto, companhias como a Delta estão a ser forçadas a aumentar os preços dos bilhetes para manterem os lucros, enquanto que outras companhias como a Ryanair aumentaram os seus lucros graças à diminuição dos preços dos combustíveis.

Vejam aqui os preços atualizados dos combustíveis nos mercados internacionais: http://www.nasdaq.com/markets/crude-oil.aspx?timeframe=3y

sábado, 18 de junho de 2016

DeGiro: A Revolução dos ETF's

Faz hoje precisamente um ano que publiquei no blog esta mensagem: DeGiro: A Revolução das Plataformas Low-Cost.

Foi uma das mensagens mais populares deste blog, e merece um reforço positivo.

Mais uma vez a DeGiro revolucionou o mercado.

Este ano a DeGiro aboliu as comissões em ETF's, com algumas condições. O investimento mínimo é de 1000€ e o mesmo tem de se manter durante pelo menos um mês. A oferta de ETF's é bastante diversificada e tem os melhores instrumentos de negociação. No meio dos 700 ETF's de negociação gratuita, destaca-se a "Vanguard" e a "IShares" com ETF's ideais para garantir um investimento passivo eficiente.

Segundo a DeGiro, esta disponibiliza ETFs sem comissões porque pretende oferecer aos seus investidores uma maior variedade de produtos financeiros. Poderá diferenciar os investimentos e diversificar a carteira sem comissões excessivamente altas.

Os ETF's (Exchange Traded Funds) são fundos de investimento passivo. Este tipo de instrumentos pretendem replicar o Índice que está no detalhe do produto. Como o investidor não tem 6000€ para comprar uma unidade desse Índice, pode comprar 600€ do ETF que replica esse Índice (que corresponde a uma unidade de 6000€ do Índice). As vantagens deste tipo de instrumento é o facto do investidor poder diversificar melhor os seus investimentos e de não pagar tantas comissões ao investir.

Finalizando, é uma mais valia para os investidores passarem os seus investimentos em Fundos de Investimento para ETF's, de forma a alcançarem um maior rendimento.

Consultem a lista dos ETF's sem comissões: https://www.degiro.pt/data/pdf/pt/lista-etfs-sem-comissao.pdf

Website da DeGiro: https://www.degiro.pt/

segunda-feira, 6 de junho de 2016

High Frequency Trading

O que é o High Frequency Trading?


Após ter visto o filme "Jogo do Dinheiro" ou "Money Monster" com o George Clooney, fiquei inspirado para escrever sobre o High Frequency Trading.

O mundo informatizado trouxe-nos bastantes vantagens, como comprar e vender acções ou ver a nossa carteira em tempo real. Mas isso também trouxe algumas desvantagens para todos, como é o caso do High Frequency Trading.

Bem, já falei duas vezes sobre o tema, mas ainda não acrescentei nada de interessante.

Por definição, este fenómeno acontece quando uma empresa (ou particular) cria um software capaz de transaccionar grandes volumes de posições em segundos, ganhando a diferença da compra para a venda. Normalmente o software gere contas sobre as quais tem a certeza que, ao abrir uma janela de negociação como a que está em baixo, vai negociar o volume que está a colocar na janela. O software, em microssegundos, compra o mesmo que o utilizador quer comprar e, ao mesmo tempo, coloca esse mesmo volume no mercado, mas a um preço um pouco mais elevado. O utilizador recebe então um re-quote com um preço um pouco mais elevado (geralmente de 0,001€/$ por acção).

 
 
O utilizador não tem outra hipótese senão comprar por um preço um pouco mais elevado. O lucro da empresa de High Frequency Trading é, então, o spread entre a compra e a venda.
 

Existe um livro dedicado inteiramente ao tema que estou a abordar hoje, e recomendo a leitura a todos. Link: http://bit.ly/1FlashBoys

Flash Boys: A Wall Street Revolt conta a história de um grupo de analistas que se focam num novo projecto: acabar com as transacções duvidosas de entre os vários corretores. De forma resumida, o livro aborda a história de empresas que pagam aos bancos para processar as suas transacções, em troca de as ver por 300 milésimos de segundo (normalmente os bancos têm de pagar para processarem uma transacção). O livro também aborda as licitações por lugares dentro dos servidores dos bancos (os chamados blackpools). As partes mais chocantes do livro são quando os analistas tentam questionar os programadores da mesma empresa a razão do preço das acções desaparecer assim que eles abrem uma janela de negociação.


domingo, 12 de julho de 2015

O Apoio a Cliente na Escolha dos Corretores


Atualmente vivemos numa era repleta de vários intermediários financeiros. Dos mais antigos, que já conquistaram a sua quota de mercado, aos mais novos que querem agora conquistar os seus potenciais clientes.

Os clientes indicam o preço como principal fator decisivo na escolha de um intermediário financeiro. Segue-se a rapidez de execução e a escolha da Plataforma como fator de decisão para a escolha do seu corretor.

Muitas vezes os clientes não ponderam o apoio a cliente como fator de exclusão de alguns corretores, o que poderá ser bastante negativo a longo prazo.

Em Setembro de 2011 o Banco Suíço impôs um limite artificial de 1,20CHF contra o euro. Ou seja, 1 Euro valia o mesmo que 1,20 CHF. Em Janeiro, numa reunião do Banco Suíço, esse limite foi retirado. Isso fez com que o EURCHF e outros pares cambiais (como o USDCHF) caíssem cerca de 3000 pips.


Esta queda deu-se logo no inicio do mercado, colocando muitos clientes com saldo negativo nas suas contas. Quem tinha uma posição longa em pares cambiais contra o Franco Suíço, mesmo com um stop-loss, ficou na mesma com um saldo negativo. Com base nisso, apenas a bondade dos Corretores poderiam salvar as contas dos seus clientes.

Alguns corretores decidiram ficar com um lucro menor, fazendo um depósito na conta dos clientes com saldo negativo, de forma a ficarem com a conta sem saldo. Foi uma decisão recebida com muita alegria pelos clientes lesados, uma vez que já não teriam de pagar o saldo negativo. Destaco a OANDA como corretor líder no apoio a clientes. A OANDA foi um dos corretores que devolveu o saldo negativo aos investidores, nas contas afetadas.

 
Já outros Corretores decidiram optar por enviar um e-mail aos seus clientes, dizendo que teve um lucro elevado com a posição que detinha em pares cambiais contra o Franco Suíço. A XTB foi um dos Corretores que enviou esse e-mail aos seus clientes, e apesar das boas noticias, não se sabe se a XTB devolveu o saldo negativo aos seus clientes.

 

Assim se destaca a importância do apoio a cliente na decisão de um corretor. É algo que, à partida, não entra na lista de ponderações pelos potenciais clientes, mas que no longo prazo torna-se bastante importante. É algo que fará a diferença entre o broker perdoar o saldo negativo, ou o broker obrigar o cliente a pagar as suas dividas.

A Forex Crunch publicou dois artigos bastante interessantes. O primeiro é relativo às reações dos Corretores a este movimento do Franco Suíço, e o segundo relativo aos brokers que não perdoaram o saldo negativo aos seus clientes. Sugiro a todos os leitores que visitem esses artigos:
http://www.forexcrunch.com/snbomb-reactions-from-10-forex-brokers/
http://www.forexcrunch.com/some-brokers-still-going-after-negative-balances/